Já fiz referência, neste blog, à componente do projecto que envolve os autocolantes dos ratos e das moscas. A minha ideia aqui foi a de reflectir graficamente sobre a "contaminação", utilizando os autocolantes como metáforas dessa mesma propagação dado que o aumento da poluição dos solos prevê um crescimento destas espécies - uma versão contemporânea das pragas do Egipto. Nos autocolantes colocados no exterior resolvi, porém, substituir o típico material do autocolante por papel reciclado colado através de cola de farinha e vinagre (que cheira que nem anjinhos podres), para que o meio não violasse a mensagem e a minasse, diminuindo assim o seu efeito/impacto.
quinta-feira, 31 de maio de 2012
Deixo aqui a versão tridimensional da minha candidatura ao concurso "Recicl'arte", promovida pela Sociedade Ponto Verde, cujo objectivo era o redesign de ecobags. Achei que esta proposta se inseria no âmbito do projecto uma vez que poderá ser considerada enquanto reflexão gráfica do papel do Design de Comunicação na consciencialização para a ecologia urbana.
Versão I
Versão II
domingo, 27 de maio de 2012
howdy!
na sexta-feira lancei-me à aventura e fui testar a veracidade da receita de graffiti de musgo que encontrei online. o resultado não podia ser menos satisfatório: a tinta, para além de cheirar a requeijão falecido, não ficou com o aspecto/consistência supostos, algo apenas perceptível após a aplicação na parede. aqui ficam as fotos da diversão, que redundou num enorme e rechonchudo fracasso:
o que eu gostaria que acontecesse:
o que vai acontecer (com algum optimismo):
na sexta-feira lancei-me à aventura e fui testar a veracidade da receita de graffiti de musgo que encontrei online. o resultado não podia ser menos satisfatório: a tinta, para além de cheirar a requeijão falecido, não ficou com o aspecto/consistência supostos, algo apenas perceptível após a aplicação na parede. aqui ficam as fotos da diversão, que redundou num enorme e rechonchudo fracasso:
o que eu gostaria que acontecesse:
o que vai acontecer (com algum optimismo):
sexta-feira, 18 de maio de 2012
terça-feira, 15 de maio de 2012
Frank Chimero
Educados e habituados a uma lógica de imediatismo, as nossas acções reflectem a necessidade de uma satisfação a curto-prazo. Gradualmente mais sequiosos de estímulos, perdemos a noção de consequências que se traduzam após o impacto inicial dos mesmos. O comunicador visual não é excepção - as consequências mais profundas do seu trabalho diluem-se numa lógica de superfície. Associado à já referida elitização do design, este processo torna-se uma perigosa ferramenta de controlo social. Segundo Pranayama, podemos dizer que o nosso trabalho está concluído após a resolução do problema do cliente. Esta perspectiva imediatista impede uma correcta planificação e consciência do impacto social e ecológico que esse trabalho poderá ter. Importa por isso colocar um certo número de questões e a partir daí desenvolver o trabalho, não satisfazendo apenas o cliente, mas também um imperativo moral relacionado com a responsabilidade social.
Esta reflexão sobre o poder do design de comunicação não é novidade, e surge inclusivamente noutros contextos disciplinares, como é, por exemplo, o caso da Semiologia. Ao reflectir sobre o papel do design de comunicação, interessa atribuir-lhe o papel de "mitologista", tal como é definido por Roland Barthes. Barthes reflecte na relação que o “mitologista” adquire face à sociedade e às mitologias nas quais se centram os seus estudos : este, ao discriminar-lhes todos os seus possíveis significados, automaticamente se excluí destas mesmas estruturas. O mito surge como a “transformação de valores históricos específicos da classe regente em verdades naturalizadas, eternas e universais”(Neil Badmington). Na sua obra, "Mitologias", Roland Barthes denuncia uma série de mitos burgueses e a inserção do mesmo no âmago de uma sociedade que por ele se deixa normalizar e universalizar. Enquanto conceito basilar de toda a obra, creio ser fundamental uma definição mais aprofundada do conceito de mito, segundo Roland Barthes, e de que maneira a criação do mesmo se relaciona com a disciplina da Semiologia. Para tal, é necessário efectuar antes um esclarecimento acerca do que é o signo linguístico, tal como Ferdinand de Saussure o definiu, no seu “Curso de Linguística Geral”(1915). O signo linguístico não é senão a combinação arbitrária de um conceito (o significado) e uma imagem sonora/representação linguística (o significante). Extrapolando desta definição a sua própria ideia de mito, Barthes explica que este tem as suas raízes na linguagem, ao qual algo é posteriormente adicionado. Assim, enquanto que uma palavra (ou outra unidade linguística) é formada pela conjugação de um som com um significado, gerando um signo, no mito o signo é utilizado enquanto significante, sendo-lhe posteriormente adicionado, não arbitrariamente, um novo significado, através de um conjunto de imagens/ideias cuidadosamente manipulados pelos “fabricantes” de mitos (estruturas sociais que provocam impacto sobre um vasto número da população, como os media) para actuar nas vontades e valores de uma sociedade que por eles se deixa manipular sem aparente resistência. Através das pesquisas efectuadas no âmbito da antropologia estrutural, concluí que tal fenómeno talvez se verificasse através da proposição de Lévi-Strauss de que a cultura se define por um conjunto de signos de tal forma partilhados que “controlam” e estruturam o funcionamento intelectual. É referido por Baudrillard que “a sociedade se faz maternal para que melhor preserve uma ordem de coerção”. Que ordem fictícia é esta? Recorrendo a Barthes e à sua obra “Mitologias”, respondo que esta corresponde à ordem social normalizante do signo, habilmente preservada através de mitos (surgidos devido à necessidade de tornar perpétua a imagem de uma sociedade que deve estruturar a sua conduta pelas ideologias das classes regentes). Estes mitos, segundo Baudrillard, levam-nos a crer que a sociedade se adapta totalmente a nós para que nela nos integremos, reciprocidade essa que é meramente fictícia.
Daqui retiramos que o poder do Design se revela extremamente efectivo na propagação de valores e ideais. A consequência? A exploração de milhares de seres humanos, à custa de um adormecimento da população face a uma lógica estabelecida - estabelecimento para o qual a comunicação visual contribuiu parcialmente. O design visual é utilizado massivamente pelas grandes multinacionais que percebem o seu poder de comunicação de ideais. Ora, grande parte destas mesmas multinacionais que se tornaram, graças ao design, tão estabelecidas no nosso quotidiano visual enquanto marcas, em prol dos lucros não se importam de sacrificar o ambiente e até mesmo vidas humanas. Vemos aqui o design a contribuir para o estabelecimento de uma lógica nociva, ao mesmo tempo que "disfarça" os seus aspectos negativos. O poder do design consiste precisamente nessa capacidade de manipulação e persuasão, contribuindo, actualmente, para o estabelecimento de uma lógica de apelo ao hiperconsumismo.
Assim, surge a questão que impulsionou todo este projecto - de que forma poderemos inverter esta tendência obscurantista e utilizar o poder do design para um objectivo socialmente responsável? Segundo Joshua Blackburn, no seu artigo "Design can save the world", o papel do design enquanto ferramenta de propaganda ao consumismo surgiu posteriormente - na sua génese esteve sempre a mudança política e social. Blackburn defende, assim, um retorno às origens, o design utilizado como veículo para a propagação de ideais sociais e políticos, e não apenas uma arma de negócio.
Tal como foi concluído, é falacioso falar-se de uma neutralidade do design, pelo que daqui podemos retirar que, qualquer que seja a sua origem, todo o design terá um impacto. E está na mãos de quem o produz o controlo parcial (parcial porque é imprevisível a reacção do público a determinado produto ou mensagem) se este se trata de um impacto positivo ou negativo, ultrapassando, nesta análise, os estigmas de uma visão contemporânea de resultados a curto-prazo. Assim, é necessária uma reforma na educação do design e a inserção de disciplinas que possibilitem a reflexão crítica no âmbito de uma mudança de paradigmas, fomentando o crescimento de uma componente ética tão necessária à utilização de qualquer ferramenta de poder. É imperativa a criação de um esforço consciente para um afastamento do design dos mitos estruturantes, forçando-o a percorrer o caminho contrário, de encontro à participação social activa no seu processo.
O poder catalisador do design, tal como anteriormente, poderá voltar a ser utilizado enquanto ferramenta de mudança social positiva. Porém, enquanto for escravo de ditames corporativistas, esse poder encontrar-se-á virado sobre si mesmo, orgulhoso do seu esplendor e ignorante da sua posição de mero lacaio, tal qual o grupo de revolucionários caricaturado por Fyodor Dostoevski em "Demónios".
Por isso, não concordo com o espirituoso dito de Frank Chimero, ou pelo menos não na sua totalidade - não carregando o peso de atlas sobre os seus ombros, o design pode contribuir efectivamente para uma mudança de paradigma.
quarta-feira, 9 de maio de 2012
E aqui vão as primeiras letras para o cd-embuste do ano: Animals United - a Rain Forest Production, uma componente do projecto que pretende agarrar em toda a estética associada à cena musical indie, convertendo-a numa mensagem que apela ao problema da preservação de espécies ameaçadas.
Web Lynx - Lest the mighty shot might kill
Ding dang dong goes the forest song
As the blueish green of pasture quietly unfolds...
But suddenly, a sullen sound lattices the air
It's the reaping sound of fire, otherwise known as men
Oh, how I'll miss the minty breeze
The eerie dance of leaves
The feeble encounter of feathers
The song that winter weaves
And heaving my sorrows darkly
Heap them in song I will
Lest the mighty shot might kill
The wind that starts the mill
My shadow's but a swift swindle
In the pale azure of dawn
The shot then blesses lightly
The lofty echo's spawn
Rosemary stains the air with her mistress-like perfume
The eglantine's complexion, is one that I assume
And this completeness in non-being
Lest I cease to live at all
Prevents me from receiving
A shot from minds so small.
And I can but begin to lament this unbearable mistake
By which I now run wildly, hoping humans will repent.
Polaroid Bear - My heart's a melting ice cap
Mr. Seal's having the finest of days
I'll make a snack out of him
Ignore what he says.
And the sun will shine
(The sun will shine)
Way more than it should.
Chorus:
Ooooooh
The ocean astounds,
its deep blueish gaze
The way that it sways,
is worthy of praise
But my heart's a melting ice cap,
just like my home
help me honey, do not let it thaw.
What you're doing back there?
(doing back there)
Do not wrap your plastic bag around my heart.
Chorus (2x)
Espero ter resultados visuais para a semana (wishful thinking).
Web Lynx - Lest the mighty shot might kill
Ding dang dong goes the forest song
As the blueish green of pasture quietly unfolds...
But suddenly, a sullen sound lattices the air
It's the reaping sound of fire, otherwise known as men
Oh, how I'll miss the minty breeze
The eerie dance of leaves
The feeble encounter of feathers
The song that winter weaves
And heaving my sorrows darkly
Heap them in song I will
Lest the mighty shot might kill
The wind that starts the mill
My shadow's but a swift swindle
In the pale azure of dawn
The shot then blesses lightly
The lofty echo's spawn
Rosemary stains the air with her mistress-like perfume
The eglantine's complexion, is one that I assume
And this completeness in non-being
Lest I cease to live at all
Prevents me from receiving
A shot from minds so small.
And I can but begin to lament this unbearable mistake
By which I now run wildly, hoping humans will repent.
Polaroid Bear - My heart's a melting ice cap
Mr. Seal's having the finest of days
I'll make a snack out of him
Ignore what he says.
And the sun will shine
(The sun will shine)
Way more than it should.
Chorus:
Ooooooh
The ocean astounds,
its deep blueish gaze
The way that it sways,
is worthy of praise
But my heart's a melting ice cap,
just like my home
help me honey, do not let it thaw.
What you're doing back there?
(doing back there)
Do not wrap your plastic bag around my heart.
Chorus (2x)
Espero ter resultados visuais para a semana (wishful thinking).
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